terça-feira, 18 de novembro de 2008

Misantropia

"(...)Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco. E não é instrução. É história. É poesia.(...)"

♥

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Someday, over the Rainbow


Essa vida de pseudo-escritora é difícil
Queria tanto que escrever fosse meu vício!

Infelizmente, só me brotam idéias mirabolantes
Que nunca vão para o papel, relutantes
Permanecem escondidas na massa cinzenta
Caminhando sempre em câmera lenta.

Depois de cortar meus dobrados
Seguirei Verissimo e Machado
Sem me esquecer de Garcez
Mesmo que não seja em português.

Aí sim,
Um dia largarei o pseudo de lado
Papel e eu,
aliados.

É, um dia.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Você me dava vontade de desenhar.

E tenha certeza que não é todo mundo que consegue isso, é uma proeza de um seleto grupo de pessoas.
Não se sabe de onde, entrou esse raio negro na minha vidinha cor-de-rosa, e me vejo entre o céu e o inferno; dá vontade até de vender a alma, só para ter tudo em desordem; tal confusão é a sanidade que antes eu não conseguia ter.
As coisas acontecendo naturalmente, mas de forma alguma programadas. Tudo escrito, mas uma surpresa cada dia.
Todavia, tanto clichê não tem como ser real. De repente me vejo obrigada a pegar a estrada de volta pra casa, porque esse novo caminho não representa o novo. É apenas uma nova face de tudo já visto anteriormente, que mesmo remasterizada não consegue ir muito além do vazio interior. E desse interior saio atirando tudo fora, sem saber o que foi pra casa lado e sem me preocupar como montar novamente. O que você está procurando? Todas as peças já se foram, inclusive as previsíveis. Sem elas me vejo morta desde ontem, demasiada entorpecida pra chorar. As coisas que você faz, ou melhor, deixa de fazer, nos deixa 1.000.000 km longe de onde deveríamos estar. Mas apesar de tudo, te agradeço, é com tropeços que se segue a diante.
Vou deixar de brincar de mensagem subliminar agora e vou dormir. Sem muitos sonhos, desta vez.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Vizinhos

Morar num mesmo lugar a 15 anos faz com que conheçamos certas coisas sobre os vizinhos que deveriam continuar entre quatro paredes. Sejam elas a velhinha do 402 que fala sozinha, ou a filha que arruma casa dançando funk.
Mais legal que tais furtivos flagres são as histórias que, com o tempo, ganham proporções de lendas, mitos, com verdadeiros heróis, e cujo enredo varia de acordo com as risadas ou suspiros que vão arrancar da atual platéia.
Uma das que sempre dá ibope lá na rua quando já passa das 3h da manhã e não há mais assunto, é a do dia que o bambuzal começou a pegar fogo. A palavra bambuzal é usada aqui com extremo eufemismo, pois haja bambu atrás do condomínio. Logicamente, todos os moradores entraram em pânico, sairam de suas casas e foram para a rua. Se é verdade que o João se atirou ao fogo e a Dona Luiza apareceu só de sutiã e calcinha ninguém sabe. Fato é que o corpo de bombeiros apareceu, acabou com a bagunça, ligou o aparelho de som acoplado ao caminhão pipa e tudo acabou em pizza. Ou não.

sábado, 12 de julho de 2008

Diariamente.


‘’Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.’’ Shakespeare


Da mesma forma que toda segunda-feira, tomava seu expresso com torradas no Metrópole.
Não da mesma forma que toda segunda-feira, recebeu um sorriso e um olhar amigável, um bom dia e um convite para sexta-feira. Justo ela, que já havia esquecido o que eram relações interpessoais e as demais coisas que isto implica – ainda mais ali, no Metrópole.
Arrumou o cabelo, reaprendeu a se maquiar e experimentou o salto alto; Simples, perto do que faria para rever aquele brilho nos olhos, que fazia com que ela tomasse posse de uma coragem que não conhecia.
Seria uma sexta-feira, mas foi a sexta-feira.
Assistiria a “Um lugar chamado Notthing hill” pela décima segunda vez, mas o que viu foi as horas pararem até que ele chegasse.
O tempo sumia em companhia com a conversa agradável dele e o charme de sua barba displicentemente mal-feita.
Então ela foi embora, sem explicações, pois definitivamente não, ele estava mudando a rotina que demorou anos para lapidar.
Desde então, não há mais expresso no seu café da manhã, apenas chá. “Alguma coisa ele mudaria”, pensa ela.
E não recebe mais convites no Metrópole.